Produtor Musical, a culpa é toda sua!!!
Esse assunto é batido, eu sei. Já falei sobre ele, eu sei. E na verdade eu até optei por simplemente me abster de fazer comentários sobre qualquer produtor musical depois que passei a ser encarado como um puxassaco de um deles apenas por ser grande admirador do trabalho. Acontece que achei necessário retomar esse tema. Mas ao invés de adotar a mesma abordagem de um texto que postei aqui sobre esse assunto há tempos atrás (se o produtor é o real responsável pelo sucesso ou fracasso de um artista), vou tentar definir as funções de cada um dos profissionais envolvidos no trabalho, para explicitar de fato qual a função do produtor musical.
“Por que isso é necessário, Marcão?”. Ora, com a crise de “falso moralismo” ou de “moralismo hipócrita” que tem assolado a música sertaneja nos últimos tempos, os produtores musicais passaram a ser alvos da raiva dos defensores da bandeira da tradição. Coitado do produtor que ousou produzir canções como “Sou Foda”, “Minha Mulher não deixa não” e outras do gênero para qualquer artista que, aliás, pagou para que ele fizesse aquilo. Incrível. O produtor agora tem que simplesmente recusar o dinheiro de um artista que queira se deixar levar por essa mania de baixar o nível das canções, adaptando funks ou canções nordestinas de linguagem vulgar. Se aceitar o dinheiro e produzir a canção que o artista, o dono do trabalho, o que vai de fato cantar a música, oferecer, o produtor estará se tornando o único culpado pela teórica deterioração daquele trabalho.
Para uma canção ser gravada, em primeiro lugar faz-se necessário criá-la. Quem afinal de contas é o detentor dessa função? Ora, caros amigos, o compositor. É esse cara que fica sentado na frente de um computador ou de um caderninho de anotações, geralmente com um violão ou um teclado na mão, criando canções para o sustento de sua família. Nesse momento, a figura do produtor quase nunca está presente. A não ser que ele seja também o compositor da referida canção, o que em 99% das vezes não é o caso.
Depois que a canção é criada e gravada numa demo simples, é enviada para um ou alguns artistas. Nesse momento, ela passa a ser considerada para possível inclusão num disco daquele referido artista. Ela pode ser uma das 14 ou 15 contempladas (dependendo do tamanho do disco), mas para isso terá que passar pela aprovação ou apenas do artista em questão ou do seu (ou seus) empresário ou até dos dois. Às vezes um artista quer, mas o empresáiro não quer e vice-versa.
Em alguns casos, ainda, há a figura de um outro profissional, contratado exclusivamente para auxiliar na escolha do repertório. Hoje em dia, aliás, isso é bem comum. Geralmente é um compositor consagrado que usa sua experiência para auxiliar os artistas a escolherem ou comporem as canções que melhor se enquadram no referido projeto.
Depois de escolhida, ela chega às mãos ou aos ouvidos do produtor musical envolvido no projeto. Vejam bem. O produtor musical e o arranjador (quando não são a mesma pessoa) podem ser contratados apenas para produzir e arranjar o referido disco. Nem sempre ele tem liberdade de vetar uma ou outra música escolhida pelo artista para inclusão no repertório. Além disso, o próprio artista pode simplesmente determinar que o produtor faça o trabalho para o qual foi pago, mesmo que ele deteste a tal canção ou a considere um equívoco. Trabalho é trabalho, minha gente. Imagine o seu chefe, o cara que paga seu salário, dizendo que você deve desenvolver uma atividade que você detesta e você nega. Ora, não vivemos em um mundinho mágico de utopia. Se uma pessoa é paga para fazer um trabalho ela deve fazê-lo, ainda que aquilo a desagrade.
“Ah, Marcão, mas onde fica a dignidade do produtor musical, onde fica a credibilidade que ele conquistou?”. Ora, minha gente, não é um absurdo tão grande assim o cara simplesmente produzir uma música com linguagem vulgar. Não é como se uma atriz decadente aceitasse fazer um filme pornô para sair do ostracismo em que se encontra. O exagero empregado pelos defensores da bandeira da tradição sertaneja beiram o radicalismo islâmico. Daqui a pouco, se continuar assim, a gente vai ver uma galera de bota, chapéu, fivela e calça apertada vestindo um colete bomba e indo a um show de um artista que ele detesta ou de alguém que gravou uma música com uma linguagem que ele acha absurda para os moldes da música sertaneja só para fazer provar o seu ponto de vista e explodindo todos os infiéis. Atenção, não estou dando nenhuma idéia, hein.
Mesmo uma canção precisando sair da cabeça de um compositor e passar pela aprovação de um artista e/ou de seu empresário e às vezes até de um terceiro envolvido no projeto para só então ser produzida pelo cara que está sendo pago para fazê-la, ainda insistem em atacar o produtor depois que a canção é lançada como se ele fosse o único responsável, o único “culpado” por cometer tamanha atrocidade com a música sertaneja.
O que acontece é que a figura do produtor acabou ficando deveras exposta de um tempo pra cá. Eu, aliás, me incluo como um dos culpados por essa superexposição. O Blognejo sempre foi elogiado por grandes profissionais da música sertaneja por mostrar que não é só o artista que faz a música sertaneja, mas também o compositor, o músico, o produtor e outros profissionais. O problema, no entanto, foi que nessa exposição de todos os envolvidos, acabei levantando a bandeira de alguns deles, o que promoveu a ira de quem geralmente vai contra a opinião contida nos meus textos.
Ao apontar grandes profissionais, eu acabei sendo acusado de menosprezar outros ou até de não gostar deles. E isso desencadeou uma guerrinha de “talifãs” de produtores. Hoje em dia, tudo o que um produtor que não é aquele “preferido” por uma determinada parcela dos admiradores de música sertaneja faz é encarado como uma abominação. Os fãs de um não gostam de outro e vice-versa. O problema é que nesse “não gostar” a função do produtor acabou sendo deturpada. O cara acaba sendo considerado culpado até se o artista que ele produziu está com algum problema de saúde ou se o mesmo não sabe se comportar no palco ou num programa de TV. Como o próprio nome diz, a função do “produtor” é “produzir”. E acho que a função de babá não se enquadra aqui, né?





Eu acho que no tempo do tião carreiro e pardinho, quem era o produtor musical deles ? Pois é acho que nenhum, simplesmente tinha os caras que gravavam as musicas nos estúdios pronto. Agora hoje o cara tem produtor, acessor, puxador, tudo com or… para cada coisa da vida do artista… A meu pega sua viola põe no saco e vai tocar… Se vira !!!
Creio q isso se deve ao fato de que, os produtores estão tão malas hoje em dia, que só produzem oque eles aprovam… sera??.. ai fatalmente a culpa recai sobre ele mesmo.. justamente… ja vi casos assim.. q vc vai paga o preço pra produzir com certa pessoa e até uma música d composição sua ele se recusa a colocar no seu próprio cd… procure observar … verá q isto realmente acontece…
BOA TECO! KKKKKK
Acontece que Tião Carreiro e Pardinho são de uma epoca jurassica do sertanejo!
Se hoje qualquer artista, sertanejo ou nao, quiser abrir mao dessa equipe por tras dele ele smplesmente morre de fome!
Acontece que tião carreiro e pardinho são os REISSSS do sertanejo e tinham sim uma equipe por traz e grande inclusive.. mas não esse mala chamado produtor musical !!!
Hehe.. O Teco tá cuspindo maribondo.. apesar do exagero costumeiro, há muitas verdades nos desabafos do caboclo..hehe.
Grosso modo: o produtor ganhou mais destaque hoje, devido o baixo nível dos cantores. O diferencial passou a vir do produtor, não do cantor. Diferente de épocas passadas onde, apesar de existir o grande respeito por determinados produtores, o “diferente” era o talento do intérprete.
Pela madrugada, hoje tem “talifãs” de produtor, que que isso.
Sobre a questão do falso moralismo, o Marcão tá coberto de razão, e na verdade pouco me importa isso. O mau gosto é um pouco reflexo da abrangência que o sertanejo conquistou. Que pra mim tem muito mais pesares do que acertos. Público descartável: música descartável.
Mas, dando a mão à palmatória, parece-me que estamos prestes a ter uma boa reviravolta na história… o nosso estimado “Dimas” tá produzindo, provalmente, o melhor CD do sertanejo dos últimos anos. É esperar pra ver. O que faltava para o nobre jovem produtor era cantor de verdade. E, no pouco que ouvi, vai produzir um CD estupendo.
Será que agora vou conseguir chamá-lo de “gênio”?? oh céus!! Tomara!!!! hehe…
“ficou deveras exposta”… Gastou um trocado nessa frase hein Marcão! Nusss!!!
Grande texto Marcão!
Realmente o produtor não tem essa culpa não.
Cada um na sua!!! Se o artista resolver comer merda no palco então a culpa é do produtor?!
Di pietro matou a pau… Falou tudo ” o produtor ganhou mais destaque hoje, devido o baixo nível dos cantores. ”
Parabéns tiro o meu chapéu de ” paia ” pro c !!
Parabéns pela colocação
Eu acho até engraçado quando leio comentários como esse dito pelo amigo “teco”. O mundo muda, o mundo sertanejo mudou, criou ramos, pernas. Hoje, ter uma dupla sertaneja ( séria, completamente profissional ) requer uma série de profissionais trabalhando em conjunto, como uma empresa. É uma grande ignorancia o cara falar ” A meu pega sua viola põe no saco e vai tocar… Se vira !!!” . Se vira vc irmão, vai estudar, trabalhar, sair no mundo sertanejo de hoje pra ver como a coisa não é mais bem assim.
Di pietro, vc ta falando de qual cd? Do dvd do jorge e mateus que será gravado no Rio? Fiquei curioso agora!
Fala Marcão!
mais um ótimo texto, sempre esclarecendo as coisas pra nós, leigos!
quanto ao post exatamente nem tenho mto o q comentar, mas nos comentarios surgiu um debate ai, mais uma vez, sobre o mercado atual sertanejo. em relação a isso, eu percebi que de um tempo pra cá, pelo menos eu, e acho que deve ter mta gente começando a se sentir assim, quando procuro pelas novidades, musicas novas e tal, passei a criar uma antipatia gigante pela verdadeira avalanche de nomes novos que surgem TODO DIA, e acho que todos aqui sabem que não é exagero falar isso. e quando digo isso, não é desmerecendo de forma alguma esses nomes, afinal de vez em quando aparecem coisas boas, mas me incomoda mto essa “poluição” e no fim das contas da até preguiça e falta ânimo pra tentar garimpar algo de bom no meio dessa quantidade.
um abraço!
Parabéns Marcus pelo belo texto.
Nós, compositores, ficamos gratos por citar a nossa classe.
Em muitas vezes os artistas nem se quer colocão os nomes dos compositores no encarte dos CDs.
Um grupo de compositores se unirá e formará a Fábrica da Música, hoje possuem um elenco de 87 compositores.
A fábrica tem sido responsável por impor os novos compositores no mundo da música sertaneja. Destinada a divulgar e defender autores e valorizando o trabalho de cada um. Autores consagrados a dividir democraticamente o espaço com os novos talentos compositores, por aqueles compositores que não ter oportunidade de mostrar seu trabalho a quem esta na mídia, o deixam engavetados.
Os compositores da Fábrica da Musica só tem de acrescentar na qualidade do repertorio de cada artista.
A meta da Fábrica da Música é fazer você, compositor, sair do anonimato e adentrar a galeria do sucesso!
Os compositores são os verdadeiros responsáveis pelo sucesso de todos os artistas.
Gostei do ótimo texto, Marcus. Beleza… hehehe
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Mas só ficou uma coisinha… com quem diabos então é que fica a “CULPA” por gravar essas músicas talvez supostamente “ruins” ??
Pelo texto, fiquei achando que não tem culpado.
Uéé ?? MAS… com TANTA estrutura e gente BOA no processo: compositor bom, artista, empresário bom, compositor de escolha de repertório (?), os puxadores de saco (ruins) e por fim o coitadinho do produtor musical.
Quem AFINAL é que tem estas brilhantes idéias…??? (hehehe)
Ou todo mundo desaparece nessa hora. Igual em Brasília…
Artur : O disco a que o Di pietro se refere é o prox do Bruno e Marrone. Eu já acho ao contrário, que não será nada impactante pelo lado bom, acho que tem de tudo para fer mais um cd mais ou menos pra não falar coisas piores…
Guilherme. Como alguns já perceberam, meus comentários são espalhafatosos, no sentido de dar um chaqualhão. Veja no sertanjo antigo ( que não existe mais hoje certo ? ) se colocava a viola no saco e iam tocar Hoje ainda existem vestígios da forma de trabalhar daquele tempo, pois a verdadeira essência do que é o sertanejo continua dentro de qualquer artista que se julgue pelo menos um pouco sertanejo. A mas qual é a essência ? É por a viola no saco e ir tocar uai, é isso que qualquer sertanejo sonha em fazer; e que hoje eles não fazem sosinhos por N motivos e necessidades.
Veja, recomendo assistir ao ultimo DVD do Victor e Leo, ele é uma aula, e você poderá perceber o que eu quero dizer quando digo isso, nele você verá os dois efetivamente trabalhando na produção do disco deles, “Háaa ta falando merda eles tem produtor tb ” Sim tem, mas ele é mais um gravador do que um produtor de MUSICA porque o victor faz questão de quase que na totalidade produzir as suas musicas, até por isso vc não vê guitarra em victor e leo. Enfim, também tinham Edson e Hudson que faziam esse trabalho. O que não concordo e não vou concordar nunca, é o cara que tem a essência de por a viola no saco e ir tocar, trocar isso por ” poe a viola no saco e da pro produtor ” … Tenho certeza absoluta que a maioria dos compositores das musicas de hoje não são felizes com a segunda produção que dão as canções deles ( segunda porque a primeira o compositor que faz e faria muito bem se tivesse mais reursos “…
é isso, chega de blablablá… Quer viver no meio sertanejo ? Quer fazer sucesso ? quer ser reconhecido ? POE SUA VIOLA NO SACO E VAI TOCAR !!!
Na minha opinião, várias verdades foram postadas acima com interpretações e pesos diferentes.
Existem sim os “malas”, mas não podemos transformar todos os produtores em “malas” apenas porque alguns deles tomam uma postura que condiz com o sentido dessa expressāo.
Existem também os produtores que escolhem as músicas e o artista com quem vão trabalhar e independente do “peso” que o artista ou produtor tem no mercado, nesse caso acho que a justiça deve ser feita tanto para o sucesso quanto para o fracasso do trabalho.
No tempo de Tião Carreiro e Pardinho, o mercado era outro, o poder aquisitivo e aspectos culturais do público eram bem diferentes e realmente sem uma equipe competente e às vezes numerosa os artistas que hoje estão efetivos no mercado e também os que estão por vir realmente não conseguiriam trabalhar, tendo em vista a proporção e o caminho que o Sertanejo tomou.
A culpa é do produtor? Depende do caso. E como cada caso é um caso, não devemos generalisar. O produtor tem todo o direito de escolher a música, ou o repertório inteiro, ou apenas só opinar em alguns casos. A decisão de apresentar o trabalho ao público deve partir do artista ou do empresário ou de quem for o responsável por aquele trabalho.
Se o seu trabalho deu certo, ótimo. Se deu errado, procure o erro e corrija. O erro pode estar nos dois ou em quem está vendo um erro que às vezes nem existe.
Quem é o dono da verdade?
Boa tarde a todos.
Será que o dinheiro dos chamados “famosos” é mais valioso do que o nosso ? Tive a experiência de ter um disco independente produzido por um renomado produtor há alguns anos atras… mas o mesmo profissionalismo que ele tem com os chamados “grandes nomes” não tem com aqueles que estão começando… o repertorio acabou sendo escolhido por mim mesmo…ele mal conduziu o processo de criação… ter o nome dele como produtor do cd não acrescentou nada… só me custou muito mais dinheiro…e a finalização do cd de estudio ficou por conta de empregados… desconfio até se ele chegou a ouvir o cd depois de pronto pelas falhas que ficaram.
Quem será este, mencionado no comentário abaixo do Fernando Reis ?
Pode dar nome aos bois… é bom pra classe viu…
O que muita gente não sabe é que esse “famoso produtor” citado aí pelo Fernando nem coloca a mão na massa. Quem faz o grosso da coisa é outra equipe, que por coincidencia fica no mesmo prédio, num andar diferente, e que cobra 20% do valor que o figurão cobra pra fazer A MESMA COISA. Ou seja, o bonitão superfatura e a turma ainda baba ovo por ele.
Se quiser eu falo os nomes !!!!