O que a música sertaneja representa de fato para o Rio de Janeiro?
De um lado os morros cariocas, repletos de malandragem e ginga, tudo embalado pelos mais puros e genuínos ritmos populares: o samba e o funk. De outro lado o Leblon, passando por Ipanema e chegando á Copacabana, bairros movidos pela bossa nova, ritmo que balança os sonhos da alta sociedade fluminense, música por lá apenas se for proveniente do piano charmoso de Tom Jobim. Sim, a idéia era ser caricato.
Muito se tem falado sobre uma invasão sertaneja no Rio de Janeiro, de acordo com os principais meios de comunicação do país, os cariocas se renderam de vez á nossa música e agora são adeptos de noitadas agitadas ao som do bom e velho sertanejo, coisa inimaginável a até bem pouco tempo atrás. Segundo esses mesmos veículos, casas noturnas tradicionais vem abrindo suas portas e tem mantido, nos últimos meses pelo menos um dia dedicado ás modas de viola. Mas lá no fundo, isso é possível?
Para os organizadores de eventos sim, para tanto criaram sites, reservaram datas, fizeram divulgação e levaram grandes nomes do sertanejo atual. Casa cheia, cerca de 1600 pessoas para a apresentação de César Menotti & Fabiano no Lapa 40 graus, boate que tem como sócio o dançarino Carlinhos de Jesus. Antes disso Victor e Leo se apresentaram no tradicional centro de eventos “Marina da Glória” e João Bosco & Vinicius tocaram para fãs no Jockey Club da Gávea.
Com o sucesso do sertanejo atual que rasga o país de norte a sul, era óbvio que em algum momento toda essa explosão chegaria ao Rio, porém de uma forma apenas superficial. Há alguns anos Leandro & Leonardo no auge do sucesso conseguiram e foram os primeiros a emplacar seus hits na ex-capital do Brasil. Porém, um detalhe sempre impediu o sucesso total do sertanejo por aquelas bandas: o preconceito. Mas vejam, não é um preconceito qualquer, trata-se além de uma resistência com os paulistas (com quem os cariocas mantém uma eterna rixa) e os que acham a música sertaneja é brega e que só corno ouve.
Mas o maior motivo mesmo dessa dificuldade em se emplacar o ritmo no Rio é que, o povo carioca tem uma musicalidade muito própria, que já está enraigada no indivíduo desde que ele nasce. Imagine um baile funk rolando, de uma hora para outra o DJ solta uma moda de viola, improvável, não é mesmo? Ou talvez um passeio de fim de tarde pela lagoa Rodrigo de Freitas ao som de Zé Henrique & Gabriel? Certamente Tom Jobim já estaria se revirando dentro do caixão.
Contudo, apesar de ser uma cidade que abriga gente do país todo, com dificuldade outros ritmos entram e se estabilizam na capital carioca, é quase como tentar colocar as nossas músicas em outro país. Pode até ter uma boa aceitação no início, mas não passa de uma ou duas canções e mesmo assim sustentada por uma forte ação de marketing. Ainda que exista no Rio um público que aceita o atual momento do sertanejo e até goste, tudo não passa de um movimento passageiro e em breve deve ser esquecido.
Hoje, apesar do Rio representar uma ótima oportunidade de negócios para nossos artistas, o mesmo não acontece com a cidade em relação á nossa música. Não é um ritmo que vem de berço, como acontece em boa parte do país. Mesmo com esse “emPOPecimento” os cariocas nunca vão aderir de corpo e alma ao movimento. Pra se ter uma idéia da insignificância da música para a cidade, nem rádios segmentadas, nem casas especializadas e nem artistas sertanejos de projeção nacional a cidade possui.
Coisas do Rio, se o “Sertanejo Pop Festival” reuniu em São Paulo apenas 30 mil pessoas (bem abaixo do esperado pela organização) e que é pouquíssimo para um evento desse porte numa cidade com vocação sertaneja (vide divulgação e campanha de marketing no Domingão do Faustão). Imagine então se esse mesmo evento fosse realizado na cidade maravilhosa? Certamente não teria ninguém para contar a historia. Aí fica a questão: O sertanejo é importante para o Rio de Janeiro?
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Em termos musicais, o Rio de Janeiro é uma ilha bem peculiar, no Brasil.
O Rio (e o carioca) sempre se orgulhou de “lançar” modas nacionais, entre elas a música de seu agrado (e não menos “forçadas” goela abaixo tb).
Na época do pagode nacional (apesar de não ter sido propriamente o Rio apenas) a onda passou tranquilamente por lá, apesar de ter inúmeros grupos de São Paulo.
Nessa onda (já passando) de sertanejo ultimamente, o carioca (em sua maioria) não engole perder esta “supremacia” de tendencias para outros. Não se enganem, pois não tarda o “troco” deles.
Além disso, vem Olimpíadas e Copa. Ou alguém imagina que um carioca irá permitir algum sertanejo nestes eventos globais de marketing (a não ser com um caminhão de dinheiro, como já ocorre).
Sertanejos, preparem-se para o revés apocaliptico. Fazer “pop” apenas enfraquece o sertanejo, pois na arte do puro pop, eles (os cariocas) sempre foram mais lobistas e competentes.
É como um tiro no pé.
Rio de janeiro realmente é uma região muito dificil para o sertanejo.
Mas o sertão ja esta abrindo algumas portas por la e ja é o suficiente por enquanto.
Acho quase impossível virar uma região dominada pelo sertanejo!
E sobre esse Pop Sertanejo Festival, acho que sobro fumo pra alguém!!!
Inté!!
É o Rio de Janeiro se rendendo À musica do povo.
Bom dia,
sou do rio de janeiro e falo com propriedade, pois desde que me mudei a 5 anos, primeiro para Brasília por força do trabalho e agora para Curitiba, aprendi que existe música além da bossa e do samba. Graças a Deus conheci o sertanejo e aprendi a gostar dele! E hoje me alegro em ver o sucesso conquistado por essa nossa fase do sertanejo, o recém “formado” sertanejo pop.
Realmente concordo que dificilmente o carioca irá mudar seu gosto musical, mas garanto que o sertanejo de hoje tem força e qualidade sim para animar as noites das casas noturnas e tocar nas rádios populares cariocas. Talvez não consiga atingir a elite da bossa carioca, que não muda por nada, ou talvez seja passageiro como muitos outros movimentos músicas que também entraram no rio de janeiro. Mas isso com certeza é uma grande vitória e demostra amadurecimento e força desse movimento.
E espero que nas próximas férias no Rio eu possa dançar na LAPA ao som de “Jorge e Mateus”, “Fernando e Sorocaba” e companhia.
Abraços e fui…
Bem falar do Rio sem estar por lá também não é fácil. Mas eu posso dizer que estou a mais ou menos uns 500 metros da divisa. Aqui na minha cidade Rio Preto-MG sempre tivemos muitas influencias do Rio. Na música, no futebol, no jeito de falar. Mas numa coisa eu acredito, o sertanejo está mais forte do que nunca em todo o país e mesmo que não consiga se estabalecer como um estilo dominante na capital fluminense já conquistou um bom espaço e acredito que deve mantê-lo mesmo que em menor escala depois que essa onda passar. Afinal do contas como foi dito na matéria, lá tem gente de todo o país principalmente do interior. Só fazendo uma retificação lá tem uma rádio bastante forte no seguimento a Nativa FM, e pelo que sei é uma das mais ouvidas junto com a “BEAT 98″ do grupo “O Globo” e a “FM O DIA” que até 2009 só tinha em sua programação Funk, Axé, Samba e Pagode.
Aí está o Link das Rádios mais ouvidas na capital carioca, tudo bem que é pelo momento, mas o sertanejo lá tem o seu espaço.
BEAT 98 – http://beat98.globoradio.globo.com/home/HOME.htm
Nativa FM – http://www.nativa.fm/
FM O DIA – http://fmodia.terra.com.br/portal/index.asp#
Só fazendo uma correção: A programação da Nativa RIO já não é mais 100% sertaneja como foi até há alguns anos
Ola. Tenho 17 anos e desde o 5 mora no Rio, então me considero carioca da gema rs…na minha humilde opinião voce citou em se texto as 3 duplas responsáveis por essa invasão gostosa aqui no Rio:César Menotti, Victor e Leo e João Bosco e Vinícius. Eu e meus amigos quando ouvimos sertanejo ououviso estes que são muito bons.
Pois é…
Eu pensei tudo isso que tá escrito lá em cima quando anunciaram que o Luan ia gravar o DVD lá.
Dá pra entender???
Sei lá viu…O Rj esta mudando… ou uma parte dele ? ou a parte mais abastada dele ? são boas perguntas não acham ? Mas que esse DVD do luan santana sendo ele sertanejo de fato ( se for ) pode nos falar bastante coisas né.
Abraços.
Opa! Só queria te lembrar que vc disse q ia fazer um texto sobre Sorocaba e Luan Santana que estavam de bem e até compondo juntos!!Teh mais, o blog e fodaa
Eles tavam de mal??
Sertanejo conquistando o Rio? Muito difícil, e a maioria dessas duplas citadas nos sites sertanejos são totalmente desconhecidas pelos cariocas. Lembram-se de Amado Batista que ficou revoltado que não foi reconhecido em lugar nenhum do Rio (exceto no camelódromo atrás da Central do Brasil)? Esse “desprezo” dos cariocas pela música caipira será eternamente assim, pois o Rio tem seus genêros próprios,(samba; pagode original, não confundir com essa droga de sambalanço paulista; bossa nova, chorinho, funk).
Sertanejos, um conselho para vocês: Não gastem dinheiro em vão tentando emplacar no Rio . é perda de tempo.