Festivais – o lado A e o lado B

ago 10, 11 Festivais – o lado A e o lado B

A idéia para este texto já existia há um certo tempo. Com a repercussão do resultado do concurso da Garagem do Faustão, resolvi trazer o tema ao debate. Como os Festivais e concursos de artistas sertanejas podem ou não ajudar a levantar uma carreira e auxiliar um artista realmente iniciante? E porque as pessoas se comportam de forma tão idiota perante um resultado negativo?

Vários festivais estão atualmente em andamento ou acabaram recentemente. O Festival Paranaíba FM vai escolher um novo artista para a Talismã Produções, escritório do cantor Leonardo que tem no casting, além do próprio Leonardo, Paula Fernandes, Eduardo Costa, Rick Sollo, Pedro & Tiago e Di Paulo & Paullino. Além do contrato, o vencedor vai ganhar 10 mil reais e um CD gravado com a participação de um dos artistas do escritório. Já está na fase final.

O Garagem do Faustão escolheu, assim como no ano passado, dois artistas “iniciantes” para abrirem o Sertanejo Pop Festival. O Concurso de Bandas do Triângulo Music, um dos maiores festivais de música do Brasil, que até dois anos atrás não recebia artistas sertanejos na sua programação, abriu em 2011 uma categoria exclusiva para a música sertaneja. Também está na fase final.

Ano passado eu fui jurado do concurso Vivo Cantando, da Vivo Goiás, que deu 10 mil reais ao primeiro colocado. Recentemente o concurso da Bavária deu 10 mil reais e uma Ford Ranger ao ganhador. O programa da Eliana também realizou (ou ainda está realizando, não sei ao certo) um concurso de artistas sertanejos. Fora esses, vários outros estão sendo realizados ao redor do Brasil

A princípio, tais festivais e concursos são uma forma mais simples do artista independente conquistar espaço no mercado nacional. Trata-se, afinal, de uma grande vitrine. Imagina o que significa no currículo de uma dupla ou artista iniciante a participação num Festival Nacional de Música como o Sertanejo Pop Festival e tudo mais.

Os festivais, aliás, sempre foram muito presentes na música sertaneja. A música raiz tem nos Festivais até hoje sua principal forma de divulgação. Eu mesmo já participei de vários. Até hoje existem muitos artistas e duplas que fazem o seu pé de meia participando de concursos ao redor do Brasil. Aliás, a caminhada para o sucesso de muitas duplas começou em algum festival. Rionegro & Solimões, por exemplo, venceram no início da carreira o “Violeira Rose Abrão”, tradicionalíssimo festival de música raiz realizado anualmente durante a Festa de Barretos.

O sucesso da música sertaneja junto ao público jovem acabou colocando os festivais novamente em voga. É uma forma interessante de revelar novos artistas e de levantar a audiência, seja do rádio ou da TV. No entanto, o grau cada vez mais elevado de importância dos prêmios e o número de possibilidades que a vitória num destes festivais representa acabou transformando os Festivais numa forma mais simples de divulgar o que praticamente já é sucesso. Ao invés de ser uma forma de realizar um sonho de quem não teria outra chance na vida, os concursos sertanejos acabam servindo apenas como palco de disputas de torcidas organizadas ou de Fã-Clubes.

Enquanto os Festivais de Música Raiz quase sempre traziam uma bancada de jurados conceituados ou que pelo menos tinham uma história na música sertaneja, os grandes festivais de música sertaneja da atualidade premiam o artista mais votado em uma enquete realizada geralmente via Internet. Ganha quem tem mais público e nem sempre quem tem mais talento. O voto do público é soberano nestes casos.

Aquele artista que toca na noite e agrada muito quem escuta mas precisa complementar a renda com um trabalho “normal” durante o dia não tem tempo de ficar na Internet angariando votos num Festival do qual está participando. Coitado de quem não tem uma equipe ou um fã-clube organizado com competência o suficiente para perder semanas em campanhas via Twitter, Orkut, Facebook e quaisquer outras redes sociais. E o pior é que a ilusão de uma vitória num festival baseado apenas no talento acaba fazendo com que este mesmo artista perca o tempo dele fazendo inscrição num festival que muito provavelmente ele não vai ganhar por não ter um público cativo votante.

Um outro aspecto sempre levantado neste tipo de concurso de música sertaneja é o jabá. “Ganha quem paga mais”.  Pelo menos é isso que dizem os maus perdedores ou as más torcidas destes maus perdedores. Não há na história da nossa música, no entanto, nenhum organizador de festival que tenha assumido que recebeu algum benefício financeiro por parte do ganhador e nem um vencedor de festival que tenha assumido que pagou para vencer o referido prêmio.

Diferentemente do que acontece em algumas rádios, onde o jabá é solicitado assim que o artista bate na porta querendo que sua música toque, o jabá nos festivais não é solicitado às claras. Afinal de contas, envolve um concurso. Se um dos concorrentes paga para vencer, os que não estão pagando obviamente saem prejudicados. Dããã. Acontece que é um papo que rola qualquer que seja o vencedor. Os perdedores ou céticos sempre levantam essa hipótese como a única explicação para a vitória no festival.

O episódio da Garagem do Faustão foi só mais um nessa eterna briguinha entre fãs desta ou daquela dupla ou artista. Surpreende-me muito, no entanto, a manifestação de profissionais renomados da música sertaneja após o resultado. Não vou aqui ficar de palhaçadinha sobre quem deveria e quem não deveria ter ganhado. Só acho que todo mundo já sabe como funciona um festival de música sertaneja. Alguém tem que perder para outro ter que ganhar. Às vezes quem perde é aquele para quem torcemos. A BAIXARIA generalizada em que se transformou a “área sertaneja” da Internet só demonstra o quão incapazes são os fãs de votarem e de lidarem com a vitória ou a derrota. Se o resultado fosse o contrário, aconteceria a mesma coisa: os vencedores seriam amplamente acusados de ter pagado para vencerem. E a eterna briguinha de fãs continuaria.

Quem canta e tem o sonho de um dia fazer sucesso acaba sempre se iludindo com esse tipo de concurso. A título de exemplo, eu busco sempre participar apenas dos que eu julgo ter mais possibilidade de vencer. Mesmo assim, acabo sempre me empolgando com a possibilidade de ser selecionado durante as eliminatórias do Ídolos, por exemplo, e acabo ficando 4 dias na fila esperando os meus 30 segundos em frente aos jurados. Isso é normal para quem tem a música como projeto de vida.

O que é necessário para todo artista sertanejo que sonha ganhar algo assim é perceber que nem tudo é tão fácil quanto parece. Até para vencer um festival que na teoria serviria para ajudar quem não tem condições de fazer sucesso pelas vias normais é preciso ter já um certo nível de sucesso. Enquanto o voto do público continuar sendo o principal elemento deste tipo de competição, o que provavelmente não vai mudar enquanto a audiência e o bafafá for o único objetivo de quem organiza, o sucesso através dos grandes Festivais continuará sendo uma utopia. Sonhar não paga imposto, mas no que diz respeito aos festivais, é preciso ter pelo menos os dois pés no chão antes de se permitir sonhar.

13 Comentários

  1. Saudades dos festivais de música raiz que meu avo era jurado na cidade de Catanduva Sp e região que sempre me levava… aowww tempo bom. Hoje o jobá ou quase isso supera muitos talentos que nem sempre são julgados. Abraços Marcão!!

  2. Ficamos muito descontentes com o resultado do Garagem… estávamos torcendo pelos caras de campo grande (Marcos lembra da entrevista que você fez com eles ?) eles são iniciantes, tem uma pegada diferente…

    Podemos pensar que o resultado foi manipulado… entre outros… Mais hoje em dia os cara tem que ter investimento forte até mesmo para ganhar os concursos e ganhar espaço ao sol…

  3. Ééé tem que ter investimento pesado hoje em dia para ganhar um lugar ao sol….

  4. Walteny Marck /

    Acho que vencer um festival, na maioria das vezes não garante um lugar no sucesso! no maximo é uma porta pra se mostrar um trabalho que sôe diferente e que agrade as pessoas! Imaginem um festival sertanejo Com finalistas: Jorge e Mateus, João Bosco e Vinícius(no início de suas carreiras),e outro qualquer bom cantor da noite, será que jurados renomados – Que entendem de música, dariam a vitória pra um dos dois primeiros?? pois é acho que ter a estrela é fundamental, e poucos a têm, cantando bem ou mal,tem uma energia interna que faz a diferença para contagiar as pessoas!! Mas com certeza a experiencia desses festivais é positiva para o crescimento individual de cada participante!! Acho que o Ideal é ter o pé no chão mesmo!!! e não sofrer quando não der certo!!!

  5. Deus ta vendo tudo

  6. É Marcão.
    Quem almeja um lugar ao sol não pode se deter nas barreiras do caminho né, nem ficar usando de coitadismo pra justificar os pontos onde não conseguiu, que o digam os cantores que trabalham 15, 20 anos até estourarem pro Brasil todo.
    E os fãs precisam aceitar isso, porque acaba até virando aquele tipo de “fã terrorista” que acaba sujando a imagem do próprio artista!
    Grande abraço.

    http://www.sertanejodosul.wordpress.com

  7. Muito boa. Mais uma no fígado dele. rsss Estou me divertindo com isso. rsss Pelo que tenho visto ninguem ainda sacou o lance. Me parece que o que ele não tem coragem de colocar em texto complementa em comentários sobre variados nicks. rssss Essa semana ele foi á forra, como da última vez que comentei aqui te mostrei que ele defendeu o escritório do sorocaba. Essa semana ocorreu denovo. Que bom que você citou a Talismã. É o alvo dele junto com Zeze de Camargo, Victor e Leo, Jorge e Mateus… Não por coincidencia são artistas de Minas e Goias. Sempre são. Um dia gostaria de entender isso. Dos festivais acho que um que você poderia ter citado é o “Viola de todos os cantos” da EPTV, afiliada da Globo no interio de São Paulo e sul de Minas. Belo texto. Abraços.

  8. Eduardo Victor /

    Marcão !!! Vc só esqueceu de um pequeno detalhe,,, os 4 finalistas não foram escolhidos pelo o público e sim por uma comissão organizadora do evento, só depois de escolhido os 4 o povo pode votar pela internet. Que coisa né, com tanto artista no Brasil pq sera que a dupla do escritório do Fernando e Sorocaba ficou entre os finalistas, e os outros não são coitadinhos… Parabéns isso é o Brasil e ainda tem pessoas sem personalidade que paga pau para escritórios e artístas. Parabéns pela matéria

  9. Marcão,
    falar de festival, para quem nunca foi julgado é fácil!Só quem viveu aquele frio na barriga de ouvir o apresentador dizer
    ; quinto,quarto, terceiro, segundo e primeiro colocado representando a cidade … ,daí ouvir seu nome ou não amigo é fodaaaaaa e ter que voltar pra casa com ou sem prêmio e troféu ( o dinheiro acaba o troféu fica) com ou sem dinheiro.
    Meu primeiro palco foi o de festivais, eu participei de festivais des de 8 anos de idade, festival das Abelhas em Jataí Goiás, fui quarto colocado, depois vieram, festivais de Itajá,PIranhas Goiás , Alto Araguaia , Tangará da Serra no Mato Grosso ,Matrinchã Goiás , depois Britãnia Goiás, primeiro lugar interpreti e primeiro lugar música inédita. Depois o Fest Sinhá em Itumbiara Goiás onde conheci o Jorge e Matheus em início de vida artistica, depois outro festival em Jataí Goiás onde conheci o Michel da dupla (Max e MIchel) que foi jurado e então me convidou a morar em Uberlandia e fazer parte da dupla como Max 3 ( cantor e não gilete rsss.)
    Depois da dupla participei do festival do Sesi de Violeiros em Goiânia onde venci duas vezes e me garantiu gravação de vários programas de tv o mais visível Frutos da terra ,tv Anhanguera Globo Goiânia que mandou meu material para o fama e me Deu a oportunidade de participar de um dos maiores festivais de música do Brasil ,o fama da rede globo , mais um festival, no qual me alçou voo para o que eu sou hoje, portanto devo muito da minha humilde carreira aos festivais ( verdadeiros festivais);foram minha primeira escola musical e isso não faz muito tempo, durante parte da minha vida fui caçador de festivais. Quando eu chegava nos lugares ja diziam chegou o muleke que vai levar o troféu , tempo bom!!!
    Muitas vezes viaja somente com passagem de ida sem grana para a comida as vezes ganhava as vezes perdia mais aprendia e muito aviver de arte. Na minha humilde opinião é a melhor escola para quem quer fazer música de verdade, e não estou falando de comércio musical e sim de música.
    Eu vivi muitos festivais sertanejos de perto sei dizer o que é um.
    Valeu cara sou seu fã.
    abraços (SERTANEJO NÃO É ÁRVORE, MAIS TEM QUE TER RAÍZ)
    Tony Francis

  10. Eu sinceramente não acredito em Festivais. Já participamos de alguns, mas sempre cientes de que estavamos indo lá mais pra mostrar nosso trabalho.

    Sei la, sempre fica uma pulga atrás da orelha e o pensamento de que o festival “já tem seus ganhadores” entende?

    Mas é sempre legal participar de festivais, pra pelo menos divulgar sua musica para um outro publico.

    Abraços.

    AHHH…estamos com o site novo, totalmente reformulado, entrem lá http://www.billmouraeleonardo.com.br …AUEIIIIII…

    Semana que vem entramos em estudio pro novo Cd. Aguardem;

  11. Fábio Roque /

    Eu sinceramente nunca participei de um festival, reality show ou qualquer concurso na música.
    Sei que tem gente muito melhor do que eu por aí e devido a isso minhas chances sempre serão muito pequenas.
    E ainda tem esse lance de resultados comprados que todo mundo fala que existe…
    Faço musica por que gosto, sou feliz assim.
    Se um dia sucesso chegar, beleza! Mas senão, não será a falta dele que vai me fazer mudar de rumo.
    O ser humano nasceu pra ser feliz, com dinheiro ou sem, mas feliz!!!

  12. Fernando Reis /

    Marcao é isso aí !
    É preciso cair as máscaras, para que as coisas fiquem claras, transparentes…e quem sabe um dia as verdadeiras oportunidades surjam para aqueles que realmente mereçam.
    Não se iluda quem achar que tem chances de se vencer esses grandes festivais…
    Quem “tentou” ou “achou” ter chance no festival de uma marca de cerveja acabou rindo no final… quem está começando tem uma estrutura igual aqueles que supostamente foram classificados ?
    Não pense que é “despeito”, mas os verdadeiros cantores de talentos se decepcionam, muitas vezes desistem e acabam por desacreditar do proprio valor ao ver que dificilmente alcançarão um espaço ao sol… de tanto dar murro em ponta de faca , dia a dia vão vendo seu sonho ficar mais distante. Pergunto, quem está começando tem condições de pagar R$ 4.000,00 , R$ 6.0000,00 ou até mais para ouvir suas músicas tocando por um ou dois meses em uma única rádio ? Quantas rádios existem no Brasil ? Algumas rádios do interior podem até tocar suas músicas gratuitamente por alguns dias ou semanas, mas não te levará ao sucesso. Será que alguem que esta na ralação, começando tem R$ 35.000,00 para participar de uma premiação de um cantor famoso ? Lá terá reporters e tv… vendem sonhos que se transformam em pesadelo para aqueles que vendem e acabam perdendo tudo o que tem…É amigo cantor… nem tudo são rosas ou glamour… é relação, sofrimento e decpção !
    Abraço e boa sorte para aqueles que ainda acreditam em conto de fadas.

  13. thaiswildner /

    PESSOAL VEJAM ESSE VIDEO E DE SEU VOTO
    http://www.youtube.com/watch?v=eUxnCwc_KiY

    É DE UMA DUPLA DO INTERIO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
    E ESTÃO ESBANJANDO TALENTO
    “HENRIQUE E GABRIEL”

    PRA QUEM QUISER OUVIR MAIS
    http://WWW.PALCOMP3.COM.BR/HENRIQUEEGABRIEL

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