Arte gráfica: a cara do que se escuta
Em meio aos flashbacks divertidos das capas de discos que é febre na net percebemos o cuidado, ou não (rsrs), que se tem ao produzir a capa de um disco. Muito além das madrugadas varadas em estúdios, isso considerando apenas o processo de gravação, desde o “Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band”, que os Beatles lançaram em 1967, há uma intensa preocupação com a arte gráfica que acompanha as canções.
Sim, quem criou o encarte com letras foram os Beatles. Difícil imaginar um trabalho, obviamente original, que não tenha um material gráfico que facilite aprender as letras e tudo mais. Mas até então nas capas dos eternos bolachões de vinil tinha apenas uma fotografia que estampava a capa e o lado contrário vinha com o nome das canções e dados básicos.
No sertanejo sempre houve peculiaridades inusitadas na era do disco de vinil. As duplas se propunham a situações por vezes extremamente sérias e em outras bastante jocosas. O visual sempre encorpado remetia a alguma faixa do disco ou simplesmente identificava os cantores com seus estilos.
Mas muito já se falou sobre as capas antigas e a proposta desse artigo é perceber o quanto a arte gráfica evoluiu principalmente inspirada no curinga que o sertanejo representa para o mercado em geral. Muito do que estampa a identificação visual dos álbuns é nada mais que um reflexo da geração da época. A partir disso, não seria exagero imaginar nossos netos e bisnetos dando crises de rir observando a os encartes de Luan Santana e Fernando & Sorocaba, por exemplo.
Os artistas costumavam se apresentar em circos e, além de cantar, também atuavam. Em recente entrevista com a dupla Gilberto e Gilmar, Gilberto me contou um pouco sobre a época em que as duplas como eles próprios, Tião Carreiro e Pardinho, enfim, todos tinham personagens e performances circenses que representavam em meio aos shows no picadeiro. Penso que esse clima que envolvia o artista que vivia a arte em diversas nuances impactava diretamente no que eles mostravam nas artes gráficas. Isso porque o público não vivia o astro e sim idealizava, de certa forma, o que lhes era permitido diante do que viam.
Nos anos 90 as gravadoras começaram a explorar com intensidade considerável a imagem dos artistas. A chegada de um novo formato de mídia, o Compact Disc, ou simplesmente CD, permitiu que se investisse em peso em mega encartes, com fotos, brindes, posters, enfim, uma série de coisas que encareciam o projeto, mas agradava às fãs ávidas por material para colecionar.
Por uma série de fatores, entre eles a pirataria, os artistas e as gravadoras (que ainda sobrevivem à pressão do sistema), têm diminuído os custos para tornar o produto final acessível ao consumidor. Portanto, pouco se vê das capas em acrílico portando grandes encartes recheados de letras, contos, fotos e a fins. Até porque o DVD se adequa perfeitamente aos anseios da imagem.
Vejo que hoje se prefere investir em algo mais barato e até mesmo mais fácil de guardar. Miniaturas das capas dos vinis em papelão é a grande tacada já a algum tempo. Nas fotos, a maioria tem apostado em cliques de apresentações ao vivo e os looks não mais ostentam uma realidade distante de quem ouve. Os artistas estão cada vez mais próximos dos fãs e isso se reflete até mesmo no jeito de vestir para fotografar.
Ainda há artistas que se valem dos estúdios, como é o caso do Eduardo Costa, Daniel, Leonardo. Este último sempre se vale de um belíssimo violão, mas se não me falha a memória ele mal sabe tocar (rsrsrs). Outros inovam em ambientes externos, como é o caso da capa genial do trabalho gráfico do último trabalho de Marco e Mário. Victor e Leo também costumam se valer de um sistema de cores diferentes em seus trabalhos. Os tons crepusculares do “Borboletas” combinaram perfeitamente com as faixas assim como o “Boa sorte pra você” traz um caprichado trabalho de fotografia.
Às vezes capricham bastante no material gráfico. Em outras ocasiões, no entanto, tenho a impressão que queriam lançar logo o material e a primeira foto que acharam usaram para compor a campanha, de qualquer forma, a imagem vende e acredito que por isso é importante ter um cuidado especial com o material que será apresentado ao público. Como achar é a mãe de todos os erros, passo a bola para vocês!
7 Comentários
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Que bom que voltou Angell. Muito boa sua análise. Às vezes esses detalhes passam despercebidos. Muito bom!
Uai, nunca parei para pensar nisso! E é verdade, a gente ve a geração nas obras de arte que sao produzidas. Nao sabia dessa história de circo. Fui ver aqui e até o Zé Henrique, q canta com o Gabriel participou desse formato de espetáculo. Bao tameeem!
Sensacional esse post…
Em um tempo em que apenas a musica não vende o artista, uma boa capa, um encarte legal, histórias e detalhes fazem toda a diferença. Mas como a Angell disse aí em cima, capas escabrosas não eram privilégio só dos sertanejos…ainda bem…hehehe…
Parabéns lindona…
Os circos foram, o que hoje, os rodeios representam para a venda de shows.
Olha que linda a capa do Marcos e Claudio…fotos do Fábio Nunes
http://www.marcoseclaudio.com.br/sys/images/cd_home.png
Quem já foi ao show do Leonardo sabe que tem um momento no palco só ele e o violão. Ele sabe tocar sim e bem.
as fotos do boa sorte pra vc sao lindas, mtt bemm trabalhadas, vale a pena…